Os movimentos sociais na rede – usos e estratégias
Seis grandes empresas brasileiras e suas salas de imprensa virtuais
Resumo
Nos últimos anos, a internet vem se configurando como uma ferramenta poderosa para as assessorias de imprensa no relacionamento com a mídia. Pela web, as empresas podem comunicar com maior facilidade seus produtos e serviços e principalmente estabelecer canais de comunicação com seus públicos. Um desses canais são as Salas de Imprensa Virtuais (também denominadas como Área de Imprensa ou Notícias), espaços determinados na página de internet de empresas ou organizações para relacionamento com veículos de Comunicação e jornalistas (BUENO, 2006). Embora esteja crescendo o número de sites com este serviço, será que esses espaços estão sendo amplamente utilizados em todo seu potencial comunicativo?
O presente artigo tem como temas centrais a assessoria de imprensa, o relacionamento com jornalistas e a internet. A partir da análise de conteúdo das salas de imprensa de seis empresas brasileiras integrantes do top 500 do jornal Financial Times, o estudo teve como objetivo observar como a ferramenta da internet está sendo utilizada pelas assessorias de imprensa dessas instituições, como forma de divulgação e de interação com a mídia, e quais conteúdos estão sendo disponibilizados aos jornalistas.
Abstract
In the last years the internet has evolving as a powerful tool to the relationship between the Companys and the media. The Companys uses the web to communicate with their products and services more facility and also they are using this tool to set up communication channels with theirs public. Some of these channels are the Virtual Press Rooms (also called press areas or news areas) and the spaces in Companys websites reserved to the relationship with the communication vehicles and journalists. Even though the number of websites with this service are growing up we ask if they are being completely used in all their communicate potential?
The central subject of this article is The Public Relation and the relationship between the journalists and the internet. This study will analyze the content of Press Rooms of 6 Top 500 Financial Times Brazilians Companys with the objective to observe how the internet is being used by the Public Relations of the Private Institutions as a way to divulge and interact with the media and which content is being available to the journalists.
Introdução
A globalização, a concorrência desenfreada, o ritmo acelerado das negociações e decisões estratégicas transformaram a informação como moeda importante neste início de século. A necessidade de obter e difundir dados e dados passou a ser fator de sobrevivência para grandes e pequenas organizações neste início de século.
Nesta verdadeira transformação social, trazida pela chamada sociedade em rede, a Internet tem lugar privilegiado, segundo Castells (apud BIANCO, 2004, P.136), que compara a rede mundial de computadores à importância fundamental da eletricidade para a era industrial, “dado sua capacidade para distribuir o poder da informação por todos os âmbitos da atividade humana” (CASTELLS apud BIANCO, 2004, P.136). Essa nova concepção de mundo é considerada por NEGROPONTE (1997, p.1440), como a teoria da era da pós-informação, onde máquinas entendem pessoas com a mesma sutileza dos seres humanos a partir das novidades tecnológicas.
Internet e suas transformações
No Brasil, as primeiras iniciativas de redes de computadores começaram a surgir em 1989, interligando universidades e centros de pesquisa do Rio de Janeiro, São Paulo e Porto Alegre aos Estados Unidos, mas o País integrou-se definitivamente à rede mundial na década de 90, quando a internet passou a fazer parte da vida das pessoas (PINHO, 2003, p. 30 – 31).
Pinho considera a Internet como uma superestrada da informação, dada sua velocidade de disseminação. Para utilizá-la corretamente como mídia, é necessário, ainda conforme Pinho, conhecer os critérios que a diferenciam de outros meios de comunicação (Pinho, 2003, p. 48 – 55), destacados abaixo:
- não-linearidade (capacidade de leitura de variadas formas, sem uma seqüência predeterminada),
- fisiologia (a leitura on-line é mais demorada, exigindo textos mais curtos),
- instantaneidade (as notícias são transmitidas e publicadas em tempo real),
- dirigibilidade (enviar informação para a audiência sem a necessidade de filtro),
- qualificação (público formador de opinião),
- custos de produção e de veiculação (depois de investimentos iniciais, sua manutenção é pouco dispendiosa),
- interatividade (via de mão-dupla)
- pessoalidade (conversa entre pessoas),
- acessibilidade (disponível 24 horas por dia)
- receptor ativo (a audiência busca informação de maneira mais ativa).
Segundo Moherdaui (2000, p. 19), “o início da era da informação digital se dá nos Estados Unidos, no final dos anos 80.” Já no Brasil, o jornalismo digital começou a expandir-se a partir de versões similares de revistas e jornais norte-americanos e ingleses, há cerca de 10 anos. Ainda de acordo com Moherdaui (2000, P.56), existem três tipos de leitores na internet: os chamados scanners, que fazem a leitura por uma passada de olhos no texto; os que preferem os recursos multimídia; e os que procuram dados mais detalhados sobre um tema. E para cada um desse perfil, existe uma concepção de texto e possibilidades de recursos, de forma a atrair a atenção.
Todos os meios agem sobre nós de modo total. Eles são tão penetrantes que suas conseqüências pessoais, políticas, econômicas, estéticas, psicológicas, morais, éticas e sociais não deixam qualquer fração de nós mesmos inatingida, intocada ou inalterada. O meio é a mensagem. Toda compreensão das mudanças sociais e culturais é impossível sem o conhecimento do modo de atuar dos meios com o meio ambiente. (MCLUHAN, 1969, p. 54)
Abex Junior (2001, p. 89) fala sobre o bombardeamento que o homem sofre atualmente devido à crescente velocidade das inovações tecnológicas, científicas e culturais. E neste “mundo em que a informação existe em abundância, para todos, a rapidez como a eficácia na capacidade de obter uma informação exclusiva e na de disseminá-la adquiriram uma urgência dramática, acirrando ainda mais a competição entre os veículos de comunicação de massa” (ABEX JUNIOR, 2001, P. 88). Assim está contextualizada a sociedade atual, bombardeada por informações.





